As sucessivas camadas de ressentimento, um dia, atiraram-se para uma realidade feliz que à muito ansiava!
Não consigo descrever sem verter aquela lágrima... Pareciam de porcelana. Tinham tanto cabelo e olhos clarinhos que fixavam tudo em volta cheios de curiosidade de saber quem eram.
Foram uma dádiva demasiado preciosa para ser possível descrever. Vieram na altura certa, em que todos precisavam de uma nova motivação para sorrir. E essa motivação estava ali bem na nossa frente!
Nesse dia parecia que as estrelas se derramavam sobre o Mundo e que, ali, naquele quarto, tinham trazido uma humanidade mais perfeita do que aquela em que vivíamos. É para ter momentos como este que continua a valer a pena viver.
Tudo à volta delas era estranho certamente. Não encontravam sentido para toda aquela luz, mas continuavam ali, não sabiam onde, à espera que alguma coisa nova acontecesse. Que alguém lhes pegasse ao colo. Que alguém lhes tocasse. Porque as crianças, quando nascem, nunca se cansam de esperar que qualquer coisa nova aconteça.
Tenho a certeza que aquelas duas bonequinhas reais possuíam a fórmula secreta para mover todos aqueles sorrisos e lágrimas de felicidade.
Afinal de contas, eram duas!! Eram iguaizinhas, lindas, do meu sangue e tinham um sorriso capaz de penetrar nos nossos olhos e fazer milagres.!!
Sem dúvida que elas tiveram mesmo a capacidade de suavizar tudo... até a possível amargura causada pela vida.
Ainda hoje guardam no olhar a mesma doçura daquele dia. Têm uns olhos enormes onde cabe o Mundo, e eu gosto de fugir para dentro dos olhos delas, pois é o único sítio onde consigo encontrar a magia de um Mundo quase perfeito em que é possível cruzar o céu e as núvens sem nunca ter de imaginar a possível queda entre o sonho e uma nova realidade.
A única coisa que queria era a existência de um spray mágico para se pôr nas crianças para elas não terem de sofrer as consequências negativas de viver neste Mundo!
A memória é isto; o melhor património... lembra só do que é bom. A dor, a tristeza, a perda e o sofrimento deixamos isolados na recordação! Dormitam durante muito tempo numa das inúmeras cavernas da memória; mas um dia sempre voltam à superfície para nos fazer esmorecer como fizeram naqueles dias do passado...
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