26 de setembro de 2007

como tudo era diferente nos outros tempos ...

Percebi que ninguém consegue guardar tudo; todos precisamos de um ombro amigo em momentos mais sombrios; passei a precisar de me sentir completa; o que implicou a abertura da porta do meu Mundo a quem tinha algo para me dar... comecei a sentir a dimensão dos outros na minha pessoa. A verdade é que uma pessoa pode ser muito forte, mas a realidade á que precisa sempre de alguém ou de alguma coisa para se agarrar à vida.
Comecei a olhar mais para mim, atendendo às minhas ideias e valores, deixando para trás a outra pessoa, aquela pessoa que os outros esperavam que eu fosse.
Não foi fácil e esta foi uma luta constante até hoje. Luta que todos, um dia, terão de fazer. Por vezes temos de pagar preços demasiado altos pelo facto das nossas ideias colidirem com aquilo que para o nosso meio se tornou eticamente correcto.
Estas palavras poderão passar uma imagem de alguém que foi privada de uma oportunidade de defender aquilo que acredita estar certo, mas, pelo contrário, vivi as minhas ideias livremente. Mudei-as quando achei necessário e defendi-as quando eram questionadas.
Foi nestes momentos que pensei que a vida à uns trinta ou quarenta anos atrás era bem cruel. Como é que se podia torturar pessoas só porque não concordavam connosco?
Onde estaria eu se vivesse nesse tempo?
Não estaria certamente...
Deste modo, considero que, pelos vistos, no tempo dos meus pais não haviam adolescentes; pois as ditas pessoas dos treze aos dezoito anos viviam predestinadas com as ideias impostas pelos seus antecedentes. Tratava-se mesmo de imposição... um simples “mas...” era motivo de violência...
No entanto, hoje eles também não podem impedir-me de ter as minhas crenças e ideias, mesmo sendo algumas diferentes das deles.
E não o fazem.
Limitam-se a discordar achando-me por vezes deveras grosseira (que para mim já se tornou sinónimo de sincera!).
Se calhar o conceito de grosseira e insensível é o mais indicado para eles, pois certamente não será fácil ter de aceitar aquela colisão de ideias que eu já tinha decidido como fixas e que eles se depararam com a realidade de não me poderem impedir de assim pensar.

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